Retro agrado

“Since it is sure of its ability to control the entire domain of the visible and the audible via the laws governing commercial circulation and democratic communication, Empire no longer censures anything. All art, and all thought, is ruined when we accept this permission to consume, to communicate and to enjoy. We should become the pitiless censors of ourselves.” – Tese #14 das “Quinze Teses sobre a Arte Contemporânea” de Alain Badiou (Lacanian Ink 23). Disponível em http://www.lacan.com/issue22.php

Mark Fisher e Simon Reynolds, diagnosticam, nos seus último livros, respectivamente Ghosts of My Life Retromania, um impasse a que teria chegado a música pop, condenada a repetir as estéticas do passado, de um revival a outro, sem nenhuma capacidade formal de se reinventar, i.e., incapaz de propor novos formas de organizar a matéria lírica e sonora de que é feita. Qualquer audição de uma rádio dedicada à chamada música alternativa confirmaria rapidamente este diagnóstico. O problema não são, obviamente, os que fazem do retro a sua bandeira, como os Last Shadow Puppets, mas todos os outros, os que sem fazerem nenhum esforço para se apresentarem como produto vintage, mais não fazem do que remexer nas mais que muitas arcas que o digital nos colocou ao alcance de um dedo.

Mas se Fisher e Reynolds tocam numa tecla certeira na sua crítica à eterna repetição estético-formal do mesmo, essa mesma crítica deve fazer-nos pensar duas vezes, pelo menos no que ela tem de nostalgia por um modernismo pop marcado pela sucessão rápida de novos estilos. A produção incessante do novo, e a sua rápida mercadorização são uma das características do capitalismo contemporâneo que, no caso da pop, soube sempre absorver com sabedoria as margens, para depois as converter num nicho cujo assalto ao centro foi, mais do que uma vez, tábua de salvação da indústria.

Talvez seja tempo de admitir que a pop, hoje, já é outra coisa.

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