«Nós queremos as vossas casas, queremos as vossas vidas, queremos as coisas que vocês não nos consentem». Num tom pouco comum no universo da pop, sobretudo se atendermos à menorização intelectual e política que se costuma fazer da chamada cultura comercial, a letra da canção Mis-Shapes afirma abertamente a luta de classes. Em vez de uma identidade de classe centrada na figura do operário industrial, com os seus códigos de conduta e masculinidade, aqui o sujeito colectivo parece ser uma multidão de suburbanos inadaptados («coming out of the sidelines»), que não se encaixa nas sociabilidades elegantes das classes médias, nem se esgota nas reivindicações sectoriais do mundo laboral. A vingança será tão doce quanto implacável.
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