O retrofuturismo dos Stereolab

 

A indústria da nostalgia não dorme e antes que comece a regurgitar o lixo dos anos 90 convém relembrar uma das melhores aventuras musicais da década: os Stereolab. Versados na história da música, tanto popular quanto ‘erudita’, os Stereolab exploraram as ligações escondidas entre o minimalismo vanguardista, o easy-listening (versão muzak) e o krautrock. Munidos de um arsenal maciço de sintetizadores retro, nomeadamente farfisas e moogs, que haviam sido resgatados da indigência musical dos prog-rockers, os Stereolab praticaram uma pop singular e audaz, cheia de groove e sons hipnóticos arrumados segundo o princípio de repetições e variações. Os títulos longos dos seus discos – ‘Cobra and phases group play voltage in the milky night’ ou ‘Transient random noise bursts with announcements’ – traduziam o caos composto da sua música. Se os beeps e bleeps electrónicos foram a sua imagem de marca, a voz angelical de Laetetia Sadier, que sussurrava ‘On va chanter la revolution’, granjeou-lhes fama. Limitada por certo, mas poucos se podem gabar de ter conseguido combinar Françoise Hardy com slogans esquerdistas.

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